A Essência de Stardew Valley

A vida é bela. Encantadora, também. E, junto com a natureza e nossos amores, acredito que não possa existir algo maior do que ela. É como se fosse uma tríplice divina, mas sem ser, de fato, divina. É algo humano.

 

Fechar os olhos numa noite de céu aberto e escutar o som do mundo perto de alguém especial. Algo tão simples e especial, ao mesmo tempo.

 

Deve ser por isso que Stardew Valley e qualquer jogo dessa natureza encanta tanto o ser humano. Lembro-me do Super Nintendo, da fita desgastada que ganhei — um menino diante uma ferradura gigante e vários animais, tudo num estilo de desenho bem bonitinho, e o que parecia ser um celeiro, pois metade da imagem estava apagada — e de um nome que marcou minha vida: Harvest Moon. Quando comecei, andando por aquele ambiente limitado e simples, não fiquei impressionado. Na realidade, foi uma experiência bem ordinária. Mas, sem perceber, aos poucos, fui me envolvendo com aquele jogo. A música contagiante, a rotina que exige foco e precisão, a vila que parecia ter vida própria e, finalmente, a possibilidade de ter uma vida nova dentro do jogo — construir sua fazenda, casar-se, fazer amigos e participar da comunidade. Parece bobo, mas o envolvimento era tão grande que a sensação era de fazer parte daquele mundo.

 

Capa de Harvest Moon para Super Nintendo da região americana. 

 

Depois de alguns anos, ganhei um Nintendo 64 e conheci Harvest Moon 64. E foi amor à primeira vista, admito. Deixe-me envolver mais uma vez naquela realidade, agora com gráficos melhores e sistema mais complexo, coisas que apenas facilitaram na imersão. Detalhe: casei com a Karen, a mais desejada desse jogo e de Harvest Moon: Back to Nature, o sucessor que lançou no PlayStation!

 

Em Harvest Moon, o pedido de casamento era feito com a pena azul, que pertencia ao pássaro mais raro do mundo. Karen, na imagem, era a favorita em muitos jogos da franquia!

 

A partir de então, passei a amar essa franquia. Joguei praticamente todos, a maioria com mecânicas encantadoras, como Harvest Moon: A Wonderful Life; porém, sendo sincero, alguns jogos simplesmente decepcionantes, como é o caso de Harvest Moon: Save The Homeland — eu adorei, mas não chega aos pés dos grandes títulos da série.

 

Mas, sendo bem sincero, há uma franquia que amo tanto quanto Harvest Moon, e que se original a partir dele. Na época que tinha o Wii, passeando pelos sites, encontrei um título que não conhecia. Rune Factory: Frontier. Num impulso, assisti alguns trailers e descobri do que se tratava. Não hesitei. Comprei, sentindo minha carteira sangrar e minha razão esbravejar.

 

Rune Factory: Frontier te dá a oportunidade de ser um fazendeiro, encontrar o amor de sua vida, enfrentar grandes monstros e desbravar várias cavernas; tudo num único jogo!

 

Amor. Isso resume minha relação com esse jogo e seu sucessor, Rune Factory: Tides of Destiny. Em resumo, podemos definir essa franquia como a fusão de Harvest Moon com o RPG, tendo sua vida de fazendeiro, sua participação na comunidade; e, ao mesmo tempo, explorando cavernas e calabouços, lutando contra monstros e tendo um sistema de evolução de personagem.

 

Posso destacar também o famoso IP da Nintendo: Animal Crossing. Apesar de ser bem diferente, com uma proposta mais complexa e imersiva, sua essência é semelhante. E não duvido que parte de seu processo criativo surgiu devido às grandes influências deixadas por Harvest Moon. Entramos na pele de um personagem que embarca numa nova vida, entramos numa rotina real e vivemos aquilo. Tudo isso num clima de paz e tranquilidade. Acho que não existe trilha sonora mais bela que dessa franquia. Nossa, quantas vezes parei, sentei e só escutei aquelas músicas…

 

Animal Crossing usa um sistema de tempo real, ou seja, se aqui for nove horas da manhã, no jogo também será nove horas da manhã!

 

Essas séries fizeram muitas pessoas felizes. A infância, a adolescência, a juventude, a maturidade. Não existe idade para jogar Harvest Moon. No entanto, nos últimas anos, esse tipo de jogo foi sumindo e poucos representantes ainda honram seus antecessores. Esse é o caso de Story of Seasons. Belo e autêntico, tendo uma identidade própria, essa nova série nasceu no Nintendo 3DS. São apenas dois jogos, até o momento, mas são verdadeiras obras de arte. Mas eles pertencem a um nicho limitado e nem todos podem alcançá-los. E isso me entristece, um pouco. Ou entristecia…

 

Harvest Moon influenciou a vida de muitas pessoas. E quando essa belíssima série começou a morrer, uma pessoa relutou e decidiu fazer algo. Seu nome é Eric “ConcernedApe” Barone. Ele desenvolveu sozinho Stardew Valley, minha nova paixão.

 

Ele pegou vários elementos, desde Harvest Moon até Rune Factory, desenvolveu personagens e situações mais maduras — tratando de problemas como consumismo desenfreado, alcoolismo e depressão —, tudo num estilo único. Desenvolveu um sistema de fazenda mais realista, aproximando o jogo ainda mais com nossa realidade. Aproveitou a liberdade criativa para criar um mundo fantástico, deixando um pano de fundo para futuros jogos — não necessariamente no mesmo estilo. E provou que esse tipo de jogo não estava morrendo. Estamos passando por uma fase de estagnação, apenas isso.

 

Há tanta coisa para fazer em Stardew Valley que o tempo parece voar!

 

Quando pensamos nesse jogo, pensamos diretamente em Harvest Moon e tudo que essa franquia significa. Sua essência irá perdurar para sempre e influenciar jogos como Stardew Valley. É inevitável. E, por isso mesmo, é algo tão belo e memorável!

About the author

Nerd Esotérico

Sou minha essência, não sou o que digo que sou ou o que você diz que sou. Em minha mente egocêntrica, amo escrever, jogar videogame, ler, degustar filmes e boas comidas. Nada mais. Nada menos.