A Parte Esquecida de Splatoon

Num oceano de shooters genéricos e repetitivos, surgiu algo diferente, em forma de lula e tinta. Algo autêntico. Algo divertido. Algo inovador. Algo brilhante.

 

Em 2015, Nintendo lançou uma nova franquia que, pelas vendas, suporte e destaque, permanecerá ativa por muito tempo. Em resumo, Splatoon é um jogo de shooter com foco no multiplayer. Você é uma lula, numa sociedade onde o foco é a diversão, e precisa pintar tudo e todos. Para criarmos uma imagem mais sólida, vamos falar sobre o modo principal do jogo: Turf War. Duas equipes, quatro jogadores em cada. Qual o objetivo? Pintar sem parar. Quem ganha? O time que pintar mais o cenário com sua cor. Existem inúmeros tipos de arma, desde as mais óbvias — como pistolas e rifles — até as mais incomuns — como o rolo e o pincel, que é usado como uma espécie de espada. São três minutos. No final da partida, o jogo faz a contagem, em porcentagem, do time que dominou o cenário. Bem simples, não é? Para quem está acostumado com os jogos de shooters atuais, fica claro que haverá certo estranhamento. Até preconceito. Mas as pessoas não podem se prender a esses detalhes tão pequenos e inferiores.

 

Pintar, pintar, pintar! Matar? Claro, é válido, é um participante a menos na equipe adversária para pintar. Mas não se esqueça do importante: pintar!

 

Agora, o intuito desse artigo não é falar sobre o multiplayer do jogo, muito pelo contrário, vamos falar de seu singleplayer, que é ignorado pela maioria das pessoas.

 

No início do primeiro jogo, deparamo-nos com um cenário tranquilo, sem muitos problemas, mas, assim que nos aproximamos de um bueiro, uma pessoa chama nossa atenção, alegando que a cidade está em perigo. Descobrimos, então, que o Grande Zapfish — uma espécie de bagre elétrico que fornece energia para a cidade e afins — foi roubado pelos Octarians, rivais eternos dos Inklings — podemos dividir os dois como polvo e lula, respectivamente! Mas ninguém dá a mínima, pois o que importa mesmo é a diversão. Assim, você é recrutado pelo Capitão Cuttlefish para uma equipe responsável pela proteção da cidade! O problema é que existem apenas dois agentes — que ainda são as netas do líder, sendo revelado mais tarde que são Marie e Callie, as apresentadoras do Inkopolis News — além de você. O caminho é longo, mas não inalcansável! A premissa também é simples, né? E a mecânica do singleplayer do Splatoon segue a mesma linha da história. Básico, sem desafios, apelando para a repetitividade.

 

Capitão Cuttlefish é um personagem memorável e que, obviamente, merece um destaque maior! Quantas histórias incríveis esse velho deve ter na mente!?

 

Porém, no segundo jogo, encontramos algo diferente. A premissa continua sendo simples: o Grande Zapfish foi roubado novamente e quem te recruta é Marie — que alega que o líder, Capitão Cuttlefish, e o agente Nº 3 estão em outra missão. Para completar, Callie sumiu misteriosamente. Então, você, como agente Nº 4, precisa enfrentar uma horda de Octarians com o intuito de resgatar a fonte de energia da cidade. A mecânica, porém, melhorou muito em Splatoon 2. Em comparação com o primeiro jogo, as fases são maiores e mais complexas, sendo que superaram o fator da repetitividade. Sem falar a possibilidade de usar todos os tipos de armas nas fases, fortificando o fator replay do jogo — se você completar todas as fases do modo singleplayer usando um tipo de arma, você libera o mesmo modelo no multiplayer, que, infelizmente, serve mais como um troféu do que qualquer outra coisa, pois possui as mesmas características da primeira arma liberada no Sheldon, o vendedor de armas do jogo.

 

De fato, o singleplayer do primeiro jogo não impressiona. Mas, felizmente, no segundo jogo, fiquei surpreendido, até demais, pois não esperava nada depois da experiência anterior. Fui obrigado a completá-lo em 100%, coisa que consumiu, no total, cerca de 30 horas da minha vida. Bem gastos, por sinal.

 

No final dos dois jogos, enfrentamos o líder dos Octarians, DJ Octavio. Ele usa um elmo samurai e, como o próprio nome diz, é um DJ! Desde que me recordo, é umas das melhores batalhas finais que já enfrentei num shooter. É fácil, mas empolgante. Conseguimos resgatar, então, o Grande Zapfish e restaurar a ordem natural das coisas!

 

DJ Octavio, e seus aspargos, pronto para começar mais um show!

 

Agora, você deve estar imaginando o seguinte: “Mas, uê, o singleplayer realmente não é impressionante…”! Ah, caro leitor, calma aí, pois ainda não falei da história do mundo de Splatoon, que, por sua vez, é surpreendente!

 

Vou ser direto: Splatoon se passa num mundo pós-apocalíptico. No passado, a humanidade dominava o planeta. Mas, por causa do aumento do nível das águas do oceano, o ser humano, aos poucos, foi extinto, dando margem para outras espécies evoluírem. Assim, com o passar do tempo, os Inklings surgiram, assim como os Octarians, Salmonids — salmões alucinados, não são muito inteligentes, assemelhando-se com bárbaros — e outras espécies — como água-viva e ouriço do mar. No início, as espécies viviam em paz, sendo que os Inklings e Octarians se destacavam na inteligência. Porém, a água do oceano continuou subindo, deixando pouca terra para eles. Assim, infelizmente, surgiu a Grande Turf War, uma espécie de guerra mundial, sendo uma disputa pelas terras. Os Inklings ganharam esse conflito e obrigaram os Octarians a viverem no subsolo — por isso todas as fases do singleplayer do Splatoon 1 e 2 se passam em cavernas.

 

Toda essa história é revelada através dos Sunken Scrolls, colecionáveis do jogo, que são pergaminhos com imagens que, aos poucos, mostram a história daquele mundo. Isso, claro, abordando tudo com bastante humor! Há tanta coisa ali que, por exemplo, descobrimos que Capitão Cuttlefish e DJ Octavio já foram amigos na juventude e lutaram lado a lado!

 

Agora, veja algumas Sunken Scrolls e, consequentemente, algumas das maravilhas de Splatoon!

 

“Um fóssil de 12.000 anos de uma criatura com um esqueleto interno estranho. Sua caveira pequena indica que a criatura era primitiva e tinha pouca inteligência. Esse espécime parece que foi fossilizado no meio de um tipo de ritual.”

 

Não preciso falar nada sobre essa imagem, hahahaha! Acho que uma das melhores formas de morrer é mesmo segurando um Wii U!

 

“Antes da Grande Turf War, existiam relações amigáveis entre os Inklings e os Octarians. Eles não sonhariam, naquela época, que o aumento do nível do mar iria forçá-los a lutarem pelo territória remanescente.”

 

Essa é uma das imagens mais intrigantes do jogo e deixa claro quem eles querem retratar nela. Isso deixa todo o conflito do Capitão Cuttlefish com DJ Octavio mais interessante, pois, nota-se, que eles se conhecem há bastante tempo.

 

“Nós, Octarians, vivemos num mundo subterrâneo. As cavernas individuais que vivemos estão conectadas por uma rede de transporte conhecida como chaleiras. Nossa… Você aprende uma coisa diferente todo dia!”

 

Vemos, então, como funciona o serviço de transporte entre as cavernas dos Octarians. Notamos que eles são peritos em maquinaria, mas isso pode ser notado facilmente no jogo, com suas armas pesadas e equipamentos de suporte.

 

“Oh, meu amado Judd… Parece que o dia finalmente chegou. Essa capsula foi designada para permanecer fechada de forma criogênica por 10.000 anos. Adeus, meu pequeno gato perfeito. Que meus miados ecoem por entre os anos.”

 

Judd é um dos únicos seres vivos remanescente que não é originário do mar, sendo um gato, e essa imagem explica como isso se tornou possível! Há outros pergaminhos que mostram Judd, uma no fim da Grande Turf War e outra com seu suposto dono humano.

 

“As primeiras batalhas da Grande Turf War acabaram em vitória para as forças octorianas. Os diligentes octorianos dominando os Inklings com facilidade, pois eles eram incapazes de acordar cedo para se defenderem.”

 

O humor desse jogo é maravilhoso!

 

Splatoon lembra muito Pikmin nesse quesito, pois os dois jogos se passam num planeta semelhante a Terra, com indícios da nossa sociedade, retratando-a como antiga, mas sem deixar claro que estamos realmente na Terra. Inclusive, existe uma teoria que alega que Pikmin se passa antes de Splatoon, no período em que os Inklings e Octarians ainda estavam se desenvolvendo e o nível do mar não tinha subido tanto. Pouco provável, mas é uma ideia muito interessante e, claro, instigante!

 

Imagem do mundo de Pikmin mostrando como a formação dos continentes se assemelha com o nosso mundo. E, claro, condizendo com a previsão de inúmeros geólogos sobre o futuro do nosso planeta!

 

No final das contas, essa história de fundo abre inúmeras possibilidades, pois se a Nintendo quiser, pode fazer uma sequência fortificando o singleplayer. Quem não gostaria de viver a Grande Turf War como um membro do esquadrão de Cuttlefish e enfrentar hordas de Octarians e Octolings — subespécie dos Octarians que lembra um Inkling — em campos abertos?

 

Enquanto isso não acontece, felizmente, temos um multiplayer maravilhoso e viciante! E a tendência é, com o tempo, só melhorar!

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Nerd Esotérico

Sou minha essência, não sou o que digo que sou ou o que você diz que sou. Em minha mente egocêntrica, amo escrever, jogar videogame, ler, degustar filmes e boas comidas. Nada mais. Nada menos.
  • Ivo

    Tá um dos meus pecados gamistico da atualidade! Nunca joguei esse game >.< mas pelo que dizem é algo totalmente inovador. Queria muito jogar =) Parabéns pelo Review! Me deixou ainda com mais vontade de jogar!

    • Também não tive o privilégio de jogar mas já penso em pegar esse segundo do Switch!

  • Que showwwwwwwwwwwwww!!!! Além de ser um ÓTIMO review, eu particularmente fiquei muito surpreso com esse lance da história do game! Que a Nintendo acertou em cheio criando mais uma ip nova isso eu já sabia (não é por menos que o primeiro game ganhou como Melhor Multiplayer e Melhor game de Tiro em seu ano de lançamento e o segundo, apesar de não ter vencido, concorreu também), vejo sempre os gamers elogiando muito o modo multiplayer, dizendo que é viciante, que é diferente e tudo mais, mas não sabia que o modo single player também era repleto de qualidades.
    Parabéns pelo artigo Nerd Esotérico!