Análise (Nintendo Switch) – Has-Been Heroes

Quando comprei meu Nintendo Switch, junto com o The Legend of Zelda: Breath of the Wild, precisava escolher mais algum jogo de baixo custo para comprar. Como queria algo em mídia física, e qualquer jogo que tenha traços de estratégia na sua jogabilidade me atrai, acabei optando pelo Has-Been Heroes.

Desenvolvido por Frozenbyte e publicado por GameTrust, Has-Been Heroes é um jogo de ação e estratégia, seguindo o estilo roguelike. Antes de continuar, vale a pena dissecar esse subgênero do RPG e afins. Ele é caracterizado, em geral, por fases — normalmente calabouços, florestas, castelos abandonados e sombrios, cavernas, etc — geradas aleatoriamente, com jogabilidade de turno e morte permanente dos personagens. Suas maiores influências são os RPG de Mesa, tais como Dungeons & Dragons e Vampire: The Masquerade. Com isso, fica bem mais claro o tipo de jogo que Has-Been Heroes é.

 

A premissa é bem simples, como a maioria dos jogos que seguem esse estilo.

Por muitos e muitos anos, o Reino foi protegido por uma legião de heróis. Todos eles, em seu glamor, lutaram com todas as suas forças para defender seu lar. Até que as guerras chegaram ao fim e a paz brilhou no Reino. E, um por um, os heróis foram sumindo. Sobraram apenas dois: o monge Metacles e o guerreiro Crux. Ambos, infelizmente, quase esquecidos. Mas o Rei tem uma nova missão para eles! Com convite em mãos, eles decidem viajar até o castelo e, no meio do caminho, encontram a ladra Tam — uma grande fã deles. Chegando lá, descobrem que foram chamados para escoltar as duas princesas para a escola, já que há rumores de monstros pelo caminho. Felizes por terem sido lembrados, a companhia dos lendários heróis decide aceitar a missão. Porém, mal sabem que o perigo os espreita, pois, numa outra dimensão, o Grande Ghoul planeja a destruição do Reino. Para isso se tornar realidade, ele precisa capturar, primeiramente, as princesas. E assim o faz, destruindo tudo e todos. Porém, há uma força maior, divina, zelando pelos lendários heróis. Eles recebem uma grande bênção, tendo inúmeras chances de voltar no tempo, até conseguirem derrotar o Grande Ghoul de uma vez por todas.

 

Assim, com essa grande premissa, Has-Been Heroes começa.

A mecânica é muito simples — veja a imagem acima para se guiar com maior facilidade. Você tem três heróis para controlar — com Y, X e B — em três fileiras. A ação é confirmada no A. Você consegue pausar o combate com o L — e sair da pausa também. O herói não fica preso na sua fileira, sendo possível trocá-lo de lugar no final de um golpe. É possível usar os feitiços com o R. A quantidade de magias é enorme e usá-las na ordem certa é essencial para a vitória. O sistema de batalha é assim: uma onda de inimigos caminha em sua direção; você precisa sobreviver durante o tempo determinado pelo jogo ou exterminar todos; cada personagem, dependendo de seus status e classe, pode receber de dois até cinco golpes — além da sua vida, que às vezes basta um golpe para acabar com ela, há a armadura, que cada golpe retira um ponto dela. Os monstros, de fato, também possuem a vida e a armadura deles, sendo que se você retirar a armadura por completo, sem golpeá-los em seguida, poderá deixá-los tontos por um tempo — cada herói dá um determinado número de golpes, por exemplo, a Tam consegue dar três golpes consecutivos enquanto o Crux apenas um; então é necessário escolher bem o personagem que for usar e em que fileira. Precisa pensar rápido e agir mais rápido ainda; se não, provavelmente, será dominado pela gigantesca horda. Se um personagem morrer, bem, fim de jogo. Sem misericórdia. Há um mapa bem dinâmico, com vários caminhos para seguir, podendo encontrar uma onda de inimigos ou um vendedor disposto a abrir mão de algum item ou feitiço por determinada quantia de dinheiro. E, no final de tudo, um chefe que é um verdadeiro inferno.

Um dos inúmeros vendedores que encontramos no mapa!

O jogo se resume em seguir pelos mapas, fortalecendo-se e chegando até o chefe final, sendo o Grande Ghoul. E, depois de derrotá-lo, você libera um novo herói lendário e consegue uma espécie de chave. Depois, sem pena, precisa começar de novo, desde o início. Inicialmente, temos apenas dois mapas para seguir. Quando derrotamos o vilão pela primeira vez e começamos novamente, temos que progredir por três mapas. Depois de finalizar a campanha mais uma vez, serão quatro mapas e assim por diante, até juntar todas as chaves, finalizar o Grande Ghoul para sempre e assistir o verdadeiro final! Claro, depois disso, o jogo continua infinitamente, como todo bom roguelike.

O grande embate! Os heróis lendários contra Grande Ghoul!

Agora, devemos deixar claro uma coisa: o nível de dificuldade desse jogo é enorme. Não é para qualquer um. Na realidade, verificando pela Internet, fica fácil constatar que a maioria das críticas negativas se focam nessa dificuldade elevada, alegando que fica difícil aproveitar o jogo em sua plenitude por causa dela. Eu, sinceramente, acho isso uma grande besteira. Nota-se que o jogo foi feito com esse intuito, sendo reservado para um grupo seleto de jogadores, aqueles que curtem passar sufoco na frente da televisão — ou telinha, no caso do Nintendo Switch! Como eu!

 

Pessoalmente, adorei esse jogo, principalmente para jogar no modo portátil do Nintendo Switch. Não encontrei problemas na mecânica ou bugs. É um tipo de jogo que precisamos comprar tendo em mente duas coisas: não é um AAA e que pertence a um nicho bem específico. Se quer um jogo para passar o tempo, se distrair e desvincular-se de um AAA, e ainda adora uma boa estratégia e dificuldade, ele é ideal para você — principalmente pelo baixo custo, em relação aos outros jogos de mídia física. Agora, se você espera um jogo com uma grande história, que apenas te relaxe e divirta, aconselho a passar bem longe de Has-Been Heroes. Às vezes, esse jogo captura sua calma e te deixa respirando pesado na frente da tela.

 

O importante, como sempre, é se conhecer e escolher aquilo que te completa a partir desse conhecimento.

About the author

Nerd Esotérico

Sou minha essência, não sou o que digo que sou ou o que você diz que sou. Em minha mente egocêntrica, amo escrever, jogar videogame, ler, degustar filmes e boas comidas. Nada mais. Nada menos.

  • Ainda quero dar uma chance para este game, parece ser divertido!