Breath of the Wild Sob Olhares Nostálgicos

As crianças de sorte correram ao ar livre, rodaram peão, empinaram pipas, brincaram de polícia e ladrão, deram seus primeiros beijos escondidos e, finalmente, jogaram The Legend of Zelda.

 

Na minha infância, um dos momentos mais altos era quando eu chegava em casa, depois da escola e, até o início da noite, podia jogar meu Nintendo 64. E meus dois jogos favoritos, que não é uma surpresa, eram Ocarina of Time e Majora’s Mask. Perdi as contas de quantas vezes eu zerei essas verdadeiras obras-primas, quantas vezes voltei ao tempo com Link ou impedi que a sinistra lua sorridente destruísse Termina. Enquanto escrevo, milhares de lembranças invadem minha mente e deixam as mãos trêmulas. The Legend of Zelda fez parte da infância de muitas pessoas, como ainda faz, e espero que continue fazendo por muitos e muitos anos.

Atualmente, encontram-se diversas empresa no mercado dos games, alguns que entregam verdadeiras máquinas de guerra, como o PlayStation 4 e Xbox One, atuais líderes do mercado, respectivamente. Mas, no meu coração, quem manda é a Nintendo. Enquanto as outras produtoras visam, de forma primária, o lucro, encontramos uma preocupação diferente nos jogos da Nintendo: manter a essência daquilo que conquistou uma verdadeira horda de seguidores.

 

Diversos títulos do The Legend of Zelda já saíram. Todos diferentes. Todos únicos. Mas quase todos mantiveram inúmeros elementos essenciais para os fãs se identificarem com cada jogo. Desde os pequenos detalhes, como o som do baú se abrindo, com Link se pendurando nele e mostrando o item encontrado naquela cena inconfundível, até a trilha sonora, como o majestoso tema de Hyrule. São essas características, que parecem tão ínfimas, tão inúteis, que fazem os fãs da série se emocionarem. Não apenas pela lembrança, mas também pela consideração. Hoje em dia, quando penso num console que vale a pena, para mim, penso no Nintendo Switch. Todo o investimento vale a pena para quem ama jogar de verdade, que busca sentir algo de diferente nessa prática.

Quando Breath of the Wild foi anunciado, experimentei um misto de sentimentos. Dentre eles, encontrava-se uma grande empolgação, por causa da expansão daquele maravilhoso mundo que ainda hoje me encanta. Mas também fiquei com medo. Acompanhei a mudança de muitos títulos, e vi de perto a morte de alguns deles, como aconteceu com Silent Hill, uma das séries mais belas do gênero de Survival Horror. E a premissa do novo título era ousada. Mudaram tanta coisa…

 

Tiraram os famosos templos e substituíram por vários santuários pequenos com quebra-cabeças também minúsculos. Os efeitos sonoros, em grande parte, são originais; assim como a trilha sonora. O conceito de mundo aberto é tão livre que você pode enfrentar Calamity Ganon no início do jogo! A história está fragmentada, sendo necessário explorar Hyrule para entender tudo, deixando o jogador progredir o jogo sem conhecer a verdadeira história, caso queira isso. A falta de um vilão icônico também pesa na experiência. Ganon agora é apenas uma entidade muito poderosa sendo contida no Castelo de Hyrule e não marca como os antigos vilões.

 

Em contrapartida, a crítica especializada amou o jogo. Mais e mais elogios brotaram, muitos jogadores antigos amaram a mudança e muitos jogadores novos decidiram dar uma chance para o título. Além disso, a mudança é normal, principalmente quando se trata de uma indústria, então se chega numa conclusão que, uma hora ou outra, isso iria acontecer.

 

Com tudo isso na cabeça, conhecendo o fracasso de diversos títulos que decidiram abandonar sua essência, acabei ficando receoso.

 

Recentemente, comprei o Nintendo Switch. Cansei de esperar e vendo o apoio que muitas empresas estão dando para o console, sem falar nos futuros lançamentos de grande peso, decidi arriscar. E Breath of the Wild foi, basicamente, o primeiro jogo que peguei. Queria experimentar. Queria ver com meus olhos essa mudança. Queria acreditar que a Nintendo não começou a destruir um título tão belo como The Legend of Zelda.

 

E, depois de quase cem horas de jogo, acredito ter uma opinião firme e forte sobre ele.

 

Como amo a Nintendo! E o Breath of the Wild foi a última prova que precisava para saber que sempre poderei confiar nela!

É um dos jogos mais bonitos que já joguei na vida. O estilo gráfico é impecável. Hyrule inteira é desenhada de forma belíssima e marcante. É possível perder horas observando o ambiente, descobrindo os minúsculos detalhes em cada parte. A trilha sonora relaxa e inspira, criando novas tendências, sem falar nas surpresas! Volta e meia, no meio de uma música, encontramos pegadas das antigas trilhas sonoras. Breves momentos de emoção pura! O sistema de exploração é recompensador. O mundo não é vazio, descartável, como acontece com muitos e muitos títulos de mundo aberto. Os santuários, apesar de pequenos, são desafiadores. O sistema de batalha é ótimo, bem intuitivo, sendo necessário experiência para derrotar os inimigos mais difíceis, como o temível Lynel. Sem falar que a IA é adaptável e, no meio de uma batalha, aprende com seus erros! Conquistar as Bestas Sagradas é satisfatório demais! E a história, quando acompanhada de forma correta, revela-se uma peça rara na série! Há emoção! Há bom desenvolvimento! Há empatia com os personagens! E, no final de tudo, se você faz tudo corretamente, você vai enfrentar Calamity Ganon com aquela empolgação, com vontade de livrar Hyrule daquele mal e reconstruir o reino!

 

No final das contas, o medo se transformou em admiração. Ainda sinto falta dos antigos efeitos sonoros, de cavalgar por Hyrule escutando sua majestosa música, de entrar num templo e ficar horas tentando desvendar seus mistérios, de morrer inúmeras vezes nos chefões. Mas a vida é assim. As coisas mudam. Pelo menos, a Nintendo sabe direcionar a mudança, melhorando cada vez mais.

Termino esse artigo escutando o lindo tema da Zelda, pensando num belo futuro. Pois, se as coisas continuarem assim, a Nintendo vai voltar ao topo.

About the author

Nerd Esotérico

Sou minha essência, não sou o que digo que sou ou o que você diz que sou. Em minha mente egocêntrica, amo escrever, jogar videogame, ler, degustar filmes e boas comidas. Nada mais. Nada menos.

  • Lágrimas nos olhos aqui ao ler esse post tão rico em amor pela série The Legend of Zelda e pela nossa querida Nintendo.

    Não vejo a hora de me deliciar com esse game grandioso ao pegar meu Switch! Cara, já tô até me vendo jogando kkk!

    • Nerd Esotérico

      Imagino! Fiquei num estado semelhante enquanto escrevia, pois amo a nostalgia, mesmo sendo um sentimento muitas vezes enganador, hahaha.