Crítica: We Are Still Here

Sou uma pessoa bem decidida, na maioria das vezes. Quando assisto um filme, consigo desenhá-lo antes do fim, determinando se ele é do meu agrado ou não. Porém, às vezes, encontro-me num impasse. We Are Still Here é protagonizado por Barbara Crampton, que já marcou presenças marcantes em outros filmes de terror, como o fantástico Reanimator – A Hora dos Mortos-Vivos, e dirigido por Ted Geoghegan; e é um desses raros filmes que me deixa dividido.

 

A premissa é muito simples. Anne Sacchetti se muda para o interior junto de seu marido, Paul, depois da morte de seu único filho, Bobby. Inicialmente, notamos o sofrimento da personagem, com sua maquiagem e leves expressões — Barbara Crampton sempre foi boa atriz e possui seus méritos. Eles estão fugindo da vida tumultuada da cidade. Nada fora do comum. Na verdade, essa parte do filme pesa e sofre exatamente por causa disso. Não há nada que prenda o telespectador. O início é muito importante numa história, seja num romance, seja num conto, seja num filme. Esse foi o primeiro pecado do filme.

 

Porém, o ritmo do filme é rápido e, incrivelmente, não apela para os populares jumpscare — com raras exceções, mas bem executadas. Isso faz com que a trama se desenvolva sem a característica enrolação de muitos filmes de terror atuais — quando falta conteúdo, é necessário apelar para cenas toscas, que são, obviamente, descartáveis. Primeira virtude do filme!

 

Mas, calma lá, é exatamente a primeira virtude que acaba gerando o segundo pecado! Por causa dessa agilidade, a grande maioria dos personagens que é apresentada se torna obsoleta, estando ali apenas para figurar ou morrer. E, consequentemente, a protagonista também perde espaço de desenvolvimento. No final das contas, o telespectador não se importa se determinado personagem irá viver ou morrer. E isso é péssimo, num filme de terror. Temos que sentir certa agonia nas cenas de tensão, torcer pelos personagens, seja para viver ou morrer. Nesse filme, odiar também não é possível.

Porém, perto do final, deparamo-nos com algumas cenas que brilham. Mortes e mais mortes, seguindo um estilo meio trash, de inúmeros personagens obsoletos e mal desenvolvidos. Desde o início do filme, nota-se que a intenção não é criar um clima tenso, apelando para um terror mais psicológico, logo, tornou-se aceitável um final sangrento. Na verdade, foi uma boa decisão, pois se não fosse por isso, não estaria escrevendo essa crítica agora! Essa é a segunda virtude da produção!

 

O final pode deixar o telespectador confuso e acredito que dividirá opiniões. Eu, pessoalmente, achei intrigante. Mas, para saber mais, terá que assistir o filme!

 

O que chamou minha atenção de imediato foi o clima da produção. O diretor, que também escreveu a história, não parecia ter intenções de fazer uma obra-prima. Percebi que era um filme solto, sem aquela presunção de grandeza que estamos tão acostumados na indústria cinematográfica, onde encontramos filmes produzidos para ganhar prêmios e serem considerados eternos — alguns, de fato, alcançaram esse feito, mas muitos filmes que são considerados universais, na verdade, não são. E isso foi o bastante para ganhar a minha simpatia.

 

É um filme que recomendo, mas assista numa tarde quando não tiver nada para fazer. Não é prioridade, mas também não é perca de tempo.

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Nerd Esotérico

Sou minha essência, não sou o que digo que sou ou o que você diz que sou. Em minha mente egocêntrica, amo escrever, jogar videogame, ler, degustar filmes e boas comidas. Nada mais. Nada menos.