O Vazio (2/13)

“Tudo, na vida, resume-se ao prazer. Vivemos em busca dele. E fazemos tudo o que está ao nosso alcance para possui-lo.”

Nádia Makarov

Capítulo 2

Animal

 

Nádia olhou no fundo dos olhos daquele homem. E não sentiu nada. Ele se aproximou. Ela deixou. Agarrou-a pela cintura e puxou-a para perto. Não resistiu. Quando tentou beijá-la, virou o rosto.

 

— Não quero…

 

O rapaz não retrucou. Jogou-a com tudo na cama, abaixou a calça e subiu em cima dela. Penetrou sem hesitação.

 

Com o olhar fixo no teto, sendo envolvida pelo prazer, ela se esqueceu de suas dores.

 

Nádia começou a sentir aquela chama nascer dentro de seu peito. O prazer inconfundível do sexo. Único no mundo. Abraçou o homem. Seu gemido a deixava ainda mais excitada. Ela o incentivava. “Vai, vai, com mais força”, sussurrava em seus ouvidos.

 

Nada mais interessava naquele momento.

 

No entanto, quanto maior é o prazer, menor é o seu tempo de duração. Nádia sentiu o peso do rapaz sobre o seu, sem vontade, sem ânimo, provavelmente experimentando as mesmas sensações que ela.

 

Ficou apenas aquela sensação de que era um maldito animal.

 

Tentou empurrá-lo, mas foi surpreendida com um forte soco no rosto. Encolheu-se na cama, chorando baixo, enquanto o homem se levantava.

 

— Sua puta — disse, vestindo-se e saindo sem cerimônias.

 

E ela ficou naquela posição, esperando a dor ir embora, como sempre ia, sem pensar em nada. Adormeceu.

 

Embalada num sonho que se transformou num pesadelo, a mulher se viu menina, clamando por ajuda. Mas despertou antes que alguém pudesse ouvir seus lamentos.

 

Quando abriu os olhos, Nádia se viu completamente sozinha. Não apenas naquele momento, mas também na vida inteira. Um sentimento de tristeza a envolveu com delicadeza. Deixou-se mergulhar na escuridão do seu quarto. Vivia sozinha há tanto tempo…

 

Não podia ficar naquela situação. Precisava resistir. Levantou-se, ajeitou seu vestido e saiu de casa. Caminhou por um tempo, observando as ruas sempre cheias de sorrisos falsos. Quando se cansou, encostou-se numa mureta e observou a silhueta da cadeia de montanhas que circundava a cidade. Podia ver as explosões por detrás dela. Maiores e mais brilhantes, a cada dia que passava. “Estão chegando…”, pensou. Acendeu seu cigarro, um pouco trêmula, deu uma baforada e suspirou.

 

O vazio, era isso que ela encarava, o grande e perigoso vazio existencial.

 

Correu os olhos pelo ambiente, por hábito, mas uma pessoa chamou sua atenção. Um homem alto e forte, que ria descontraidamente com amigos. Sentiu um frio na barriga. E uma sensação de quentura, já íntima, apoderou-se dela.

 

“De novo…”, pensou ela, sem resistir muito.

 

Apagou o cigarro, mexeu em seus cabelos e prendeu a respiração. Caminhou até o rapaz, abordando-o sem pudor.

 

— Eu não tenho dinheiro — falou ele.

— Quem disse que quero dinheiro? — respondeu Nádia, acariciando seu pênis.

 

Foi para casa, mais uma vez acompanhada, e se entregou ao prazer.

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Nerd Esotérico

Sou minha essência, não sou o que digo que sou ou o que você diz que sou. Em minha mente egocêntrica, amo escrever, jogar videogame, ler, degustar filmes e boas comidas. Nada mais. Nada menos.