Um Breve Ensaio Sobre o Terror no Cinema Atual

Estagnação.

 

Essa é a palavra que uso para definir o estado atual do terror na indústria cinematográfica. Não hesito. Não penso duas vezes. Defendo, e sempre defenderei, essa posição. Até, pelo menos, as coisas mudarem. Sou um amante do cinema. A sétima arte me envolve, preenche parte da minha alma, alimenta e mata meu tédio, assim como me guia nas reflexões. Acredito que é uma das coisas mais belas que foi inventada pelo ser humano. E o terror no cinema, ah, é outra coisa maravilhosa. Esse gênero é capaz de levantar as mais diversas discussões, além de mexer profundamente com as pessoas, mostrando para elas o quanto estão vivas. Cinema e terror, duas coisas que nasceram em eras diferentes, mas que se encaixam perfeitamente.

 

Isso tudo, claro, quando aplicado da forma correta.

 

Encaramos um período cinematográfico recheado de estagnação. E o gênero de terror é uma das maiores vítimas desse fenômeno, que é causada por problemas profundos e complexos da nossa sociedade atual. A globalização, por exemplo, é um dos maiores fatores que influencia nisso. O maior prejuízo que temos com ela é a massificação da cultura. Criam-se tendências, normas culturais para serem seguidas, acabando, assim, com parte da diversidade das pessoas e de seus gostos pessoais. Vou destacar um filme que é, atualmente, referência no gênero de terror para falar um pouco mais sobre isso. Invocação do Mal e seus derivados, como Anabelle, não inovam. Usam e abusam de velhas fórmulas, como os famosos jumpscare. O enredo é raso, transformando toda a produção numa série de tentativas de sustos e situações incômodas. Não existe um motivo para tudo aquilo acontecer, simplesmente acontece, não há mensagem. Não há realmente uma história que ligue os personagens emocionalmente com aquele que está assistindo. E quando esse tipo de filme vira tendência, por causa da massificação da cultura, aparecem produções e mais produções semelhantes. Esse é apenas UM dos fatores da grande estagnação que enfrentamos. Mas, nesse artigo, não me aprofundarei nesse discurso.

As pessoas se acomodaram. Acostumaram-se com esse tipo de filme. E basta aparecer algo diferente para deixar as pessoas confusas, como foi o caso de It – A Coisa. Uma das joias raras das grandes produções atuais, feito de forma competente, esse filme transborda em terror psicológico. Há desenvolvimento de personagens. Há boa exploração do cenário. A produção técnica brilha inúmeras vezes. A trilha sonora encanta e amedronta. Faz-te rir. Faz-te tremer. Um filme impecável, de fato. Mas o que mais ouvi, saindo do cinema, foi: “O filme é bom, mas não é de terror”. Minha esposa alegou a mesma coisa e quase pulei na garganta dela. Sério. Como um grande amante do cinema e do terror, fico assustado com esse tipo de afirmação. “Como isso é possível? O terror realmente chegou nesse ponto de banalização?”, perguntei-me. O que as pessoas, hoje em dia, diriam ao ver Eraserhead, de David Lynch? Ou Holocausto Canibal, de Ruggero Deodato? Entenderiam essas obras de arte? As pessoas não conseguem entender a diferença do primeiro Halloween – A Noite do Terror com os filmes atuais. Na época, era inovação. Hoje em dia, é mera repetição.

 

Depois, falarei sobre alguns filmes de terror dos tempos atuais que continuam inovando, buscando trazer uma experiência diferente para as pessoas. São pequenas joias numa imensidão de pedras sem valor. Verdadeiros exemplos que é possível, sim, reinventar o cinema, principalmente um gênero tão delicado como o de terror.

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Nerd Esotérico

Sou minha essência, não sou o que digo que sou ou o que você diz que sou. Em minha mente egocêntrica, amo escrever, jogar videogame, ler, degustar filmes e boas comidas. Nada mais. Nada menos.